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| Maedhros, o Alto |
Maedhros era o filho mais velho de Fëanor, e de todos os seus irmãos foi o causador das maiores felicidades e tristezas aos que viviam a sua volta. Os irmãos de Maedhros eram Maglor, cuja voz podia ser ouvida ao longe, fosse na terra, fosse no mar; Celegorm, o louro; Caranthir, o moreno; Curufin, o habilidoso, que herdou grande parte do talento do pai para os trabalhos manuais; e os mais novos, Amrod e Amras, que eram gêmeos, semelhantes de rosto e de temperamento.
Em épocas posteriores, foram grandes caçadores nos bosques da Terra-média; e caçador foi também Celegorm, que em Valinor era amigo de Oromë e muitas vezes acompanhava o chamado do Vala. Com o pai e os irmãos Maedhros viveu durante muitas Eras na bem aventurança de Valinor, onde se desenvolveu completamente em corpo e mente. Mas ocorreu que Melkor roubou das Silmarils, as jóias sagradas feitas por seu pai e assassinou seu avô, Finwë, o Alto Rei de todos os noldor. Fëanor ficou enlouquecido com a morte de Finwë e se rebelou contra os Valar. Nesse momento, Fëanor fez um juramento terrível. Seus sete filhos colocaram-se imediatamente a seu lado e fizeram juntos o mesmo voto, e vermelhas como sangue brilharam suas espadas desembainhadas à luz dos archotes.
Fizeram um voto que ninguém deveria quebrar, e que ninguém deveria fazer, conclamando as Trevas Eternas a caírem sobre eles se não o cumprissem. E como testemunhas nomearam Manwë, Varda e a montanha abençoada de Taniquetil, jurando perseguir até o fim do Mundo com vingança e ódio qualquer Vala, demônio, elfo ou homem ainda não nascido, ou qualquer criatura, grande ou pequena, boa ou má, que o tempo fizesse surgir até o final de Arda, quem quer que segurasse, tomasse ou guardasse uma Silmaril, impedindo que delas se apoderassem. Assim falaram Maedhros, Maglor e Celegorm, Curufin e Caranthir, Amrod e Amras, príncipes dos noldor. Muitos fraquejaram ao ouvir aquelas palavras terríveis, pois um juramento desses, para o bem ou para o mal, não pode ser quebrado; e perseguirá quem o cumprir e quem o descumprir até o fim do mundo. Deste ponto em diante, muitas foram às desventuras e os momentos de arrependimento de Maedhros, pois o maldito juramento o perseguiu até o último de seus dias. Fëanor partiu de Aman contra o conselho dos Valar, e sabendo que precisava de barcos iniciou uma luta para roubar as embarcações brancas dos teleri dando início a um dos acontecimentos mais hediondos dos Dias Antigos; o massacre dos teleri no Porto dos Cisnes. Uma vez tendo a posse dos barcos, todos os que Fëanor seguiram foram amaldiçoados devido a essas ações impensadas, e, vendo que não poderia levar todos, partiu durante a noite levando consigo apenas os mais fiéis dentre todos abandonando os outros a própria sorte e vergonha. Quando estavam em terra firme, porém, Maedhros, que no passado havia sido amigo de Fingon, antes que as mentiras de Morgoth os separassem, dirigiu-se a seu pai:
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| Fraticídio |
- Agora quais barcos e remadores liberarás para a volta? E quem eles trarão em primeiro lugar? Fingon, o Valente?
Riu então Fëanor como um ensandecido e gritou: - Nenhum barco, nenhum remador! O que deixei para trás não dou como perda. Revelou-se bagagem desnecessária no caminho. Que aqueles que amaldiçoaram meu nome continuem a me amaldiçoar e voltem os gemidos para as jaulas dos Valar! Queimem os barcos! - E então Maedhros ficou de lado, sozinho, mas Fëanor fez com que ateassem fogo aos alvos barcos dos teleri. Portanto, naquele local chamado de Losgar, na saída do Estuário de Drengist, acabaram-se as mais belas embarcações que jamais navegaram, num enorme incêndio, brilhante e terrível. E Fingolfin e seu povo viram a luz ao longe, vermelha sob as nuvens; e souberam que haviam sido traídos. Esses foram os primeiros frutos do Fratricídio e da Condenação dos Noldor.
Vendo que o inimigo finalmente estava próximo, Fëanor não quis perder tempo e imediatamente atacou Morgoth. Mas tal era sua ânsia que o fez de maneira precipitada e com poucos companheiros, e portando foi atacado por forças muito superiores as que dispunha... e com nenhum amigo para socorrê-lo tão longe havia se postado do restante do exército. Balrogs o atacaram, e Fëanor lutou em meio ao fogo e espadas, e lutou bem e sem medo, mas foi mortalmente ferido e queimado na luta. Neste momento seus filhos chegaram e o socorreram, ele foi levado para longe da batalha mas era tarde demais. Seus ferimentos eram mortais e sabendo que iria morrer amaldiçoou Morgoth por três vezes e fez seus filhos confirmarem o juramento pelo qual ficariam presos até o fim dos tempos. Porém, bem na hora em que Fëanor morria, chegou a seus filhos uma embaixada de Morgoth, reconhecendo a derrota e oferecendo termos de rendição, e até mesmo a entrega de uma Silmaril. Então Maedhros, o Alto, o primogênito, convenceu seus irmãos a simular um tratado com Morgoth e ir encontrar seus emissários no lugar marcado; mas os noldor tinham tão pouca fé quanto ele. Portanto, cada delegação compareceu com uma força maior do que o combinado; mas a de Morgoth era a mais numerosa, e vieram também balrogs. Maedhros sofreu uma emboscada e todos os seus acompanhantes foram mortos. Ele, no entanto, foi levado vivo por ordem de Morgoth até Angband.
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| Maedhros em Angband |
Os irmãos de Maedhros então recuaram e fortificaram um grande acampamento em Hithlum; mas Morgoth mantinha Maedhros como refém, e mandou avisar que não o soltaria a menos que os noldor desistissem da guerra, voltando para o oeste ou então partindo para longe de Beleriand, para o sul do mundo. Os filhos de Fëanor sabiam, porém, que, não importava como agissem, Morgoth os trairia e não soltaria Maedhros. E também eram obrigados a cumprir o Juramento, não podendo por motivo algum renunciar à guerra com o Inimigo. Assim, Morgoth arrastou Maedhros e o pendurou no alto de um precipício nas Thangorodrim, e ele foi preso à rocha pelo pulso da mão direita, envolto numa pulseira de aço.
Agora chegavam ao acampamento em Hithlum rumores da marcha de Fingolfin e dos que o seguiram, que haviam atravessado o Gelo Atritante; e todos se admiraram com sua chegada. Quando a hoste de Fingolfin entrou em Mithrim o Sol nasceu flamejante no oeste, e Fingolfin desfraldou suas bandeiras azuis e prateadas tocando seus clarins, e flores cresciam sob seus pés que marchavam. Assim, terminaram as eras das estrelas. Com o raiar da grande luz os servos de Morgoth fugiram para dentro de Angband e Fingolfin conseguiu passar sem combate por Dor Daedeloth, enquanto seus inimigos se escondiam debaixo da terra. Bateram, então, os elfos nos portões de Angband, e o desafio de suas trombetas fez tremerem as torres das Thangorodrim. E Maedhros os ouviu em meio a seu tormento, mas sua voz se perdeu nos ecos da pedra. Fingon havia sido muito amigo de Maedhros; e, embora ainda não soubesse que Maedhros não se esquecera dele quando do incêndio dos barcos, a idéia da antiga amizade lhe doía no coração. Por isso, ousou um feito que tem justificada fama entre os maiores príncipes dos noldor. Sozinho e sem se aconselhar com ninguém partiu em busca de Maedhros. Auxiliado pela própria escuridão criada por Morgoth chegou sem ser visto ao reduto do inimigo.
Então, em desafio aos orcs, que ainda estavam acuados nos escuros vãos subterrâneos, apanhou sua harpa e entoou uma canção de Valinor que os noldor haviam composto nos velhos tempos, antes que surgisse a discórdia entre os filhos de Finwë. E sua voz ecoou nos grotões melancólicos que antes nunca tinham ouvido nada a não ser gritos de medo e aflição. Assim descobriu Fingon o que procurava. Pois, de repente, acima dele, uma voz muito fraca cantou junto com a sua chamando por ele. Era Maedhros que cantava em meio a seu tormento. Mas Fingon subiu até a base do precipício onde estava pendurado seu parente e dali não pôde avançar. E chorou ao ver a cruel tortura seu parente enfrentava. Maedhros, portanto, angustiado e sem esperanças, implorou a Fingon que o matasse. E Fingon preparou uma flecha e retesou o arco gritando a Manwë:
- Ó, Rei, que amas todos os pássaros, leva agora esta flecha emplumada e volta a ter piedade dos noldor neste momento de grande aflição!
Sua oração foi atendida prontamente. Pois Manwë, que ama todos os pássaros e a quem eles trazem notícias da Terra-média até Taniquetil, enviara a raça das Águias, com a ordem de que habitassem os penhascos do norte e mantivessem Morgoth sob vigilância, já que Manwë ainda se condoia dos elfos exilados. E as Águias traziam aos ouvidos pesarosos de Manwë notícia de grande parte do que se passava naqueles tempos. Ora, no exato instante em que Fingon retesou o arco, desceu das alturas Thorondor, Rei das Águias, a mais poderosa de todas as aves que já existiram, cujas asas abertas cobriam mais de sessenta metros, e, detendo a mão de Fingon, ergueu-o e o levou até a face do rochedo em que Maedhros estava pendurado. Fingon, porém, não conseguiu soltar a pulseira infernal que lhe prendia o pulso, nem cortá-la, nem arrancá-la da pedra. Mais uma vez, em sua dor, Maedhros implorou que o matasse; mas Fingon lhe decepou a mão acima do pulso, e Thorondor os trouxe de volta a Mithrim. Ali Maedhros sarou, pois a chama da vida era forte dentro dele; e sua resistência era do mundo antigo, tal como só possuíam aqueles que haviam sido criados em Valinor. Seu corpo recuperou-se do tormento e voltou à saúde, mas a sombra de sua dor não lhe saía do coração, e ele viveu para usar a espada com a mão esquerda com perigo mais mortal do que com a direita. Por esse feito, Fingon conquistou grande fama, e todos os noldor o elogiaram. Com isso, mitigou-se o ódio entre as Casas de Fingolfin e de Fëanor. Pois Maedhros implorou perdão pelo abandono em Araman; e renunciou ao direito de reinar sobre todos os noldor.
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| Resgate de Fingon |
- Se não restasse rancor entre nós, senhor - disse ele a Fingolfin - ainda assim a coroa deveria ser sua de direito, o mais velho da Casa de Finwë e o não menos sábio. - Com isso, porém, nem todos os seus irmãos concordaram de coração.
E assim foi que a soberania de todos os noldor passou para Fingolfin, e a amargura existente entre suas casas foi muito diminuída, mas não completamente curada. Os noldor, novamente unidos, iniciaram um certo vigilante a Morgoth nas terras do norte. A principal fortaleza de Maedhros ficava sobre a Colina Himring, o Gelo-eterno; e ela era larga, desprovida de árvores, com o topo plano, cercado de muitos montes menores. Porém Morgoth não ficou inativo, e trabalhava em suas cavernas profundas forjando armas e preparando seus exércitos. Na Batalha da Chama Súbita a cerco a Angband foi quebrado e a maioria das grandes fortalezas arrasadas. Nesta luta Maedhros realizou feitos de bravura extraordinária; e os orcs fugiram diante de seu rosto. Pois, desde sua tortura nas Thangorodrim, seu espírito ardia como um fogo branco em seu íntimo, e ele era como alguém que voltou dos mortos. Assim, a grande fortaleza sobre a Colina de Himring não foi conquistada; e muitos dos mais corajosos que restaram, tanto do povo de Dorthonion quanto das fronteiras orientais, vieram reunir-se ali a Maedhros.
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| Maedhros, o Espírito de Fogo |
Mas o juramento, feito centenas de anos atrás, continuava negando a Maedhros a paz que tanto precisava. Chegou aos ouvidos dos Filhos de Fëanor que uma das Silmarils estava em Doriath, e Maedhros enviou uma mensagem a Dior, filho de Thingol e Senhor dos elfos sindar, usando de palavras gentis e ao mesmo tempo de severa exigência pela devolução da jóia feita por seu pai. Dior, porém, não deu resposta aos filhos de Fëanor. Celegorm incitou seus irmãos a preparar uma investida contra Doriath. Chegaram despercebidos no meio do inverno e lutaram com Dior nas Mil Cavernas. Assim sucedeu a segunda chacina de elfos por elfos. Nela caiu Celegorm, pela mão de Dior, bem como Curufin e Caranthir, o Moreno. Mas Dior também foi morto, com Nimloth, sua mulher. Assim, Doriath foi destruída e nunca mais se reergueu. Contudo os filhos de Fëanor não obtiveram o que procuravam. Pois um grupo de sobreviventes do povo de Doriath fugiu à sua frente; e com eles seguia Elwing, filha de Dior. Conseguiram escapar e levando consigo a Silmaril, e com o tempo chegaram às Fozes do Rio Sirion, junto ao Belegaer, o grande mar ocidental.
Ora, quando lhe chegou à notícia de que Elwing ainda vivia e morava de posse da Silmaril junto às Fozes do Sirion, Maedhros, arrependido do que acontecera em Doriath, se conteve. Com o tempo, entretanto, a consciência do Juramento não cumprido voltou a atormentá-lo e a seus irmãos. E, voltando de suas viagens em trilhas de caça, reuniam-se e enviaram aos Portos mensagens de amizade e exigência. Então, Elwing e o povo do Sirion não se dispuseram a entregar a pedra preciosa que Beren conquistara e Lúthien usara, e pela qual Dior, o Belo, fora morto. Menos ainda enquanto Eärendil, seu senhor, estava em viagem, pois tinham a impressão de que na Silmaril residiam a cura e as bênçãos que cobriam suas casas e embarcações. E assim veio a ocorrer à última e mais cruel das chacinas de elfos por elfos, e esse foi o terceiro dos grandes males decorrentes do juramento maldito.
Pois os filhos de Fëanor que ainda estavam vivos atacaram de repente os exilados de Gondolin e os remanescentes de Doriath e os destruíram. Nessa batalha, alguns de seu próprio povo ficaram de lado; e uns poucos se rebelaram e foram mortos, lutando do lado contrário, ajudando Elwing contra seus próprios senhores (tais eram a dor e a confusão nos corações dos elfos naquele tempo). Porém, Maedhros e Maglor saíram vencedores, embora daí em diante só restassem eles dos filhos de Fëanor, já que Amrod e Amras haviam sido mortos. Com muito atraso chegaram apressados os barcos de Círdan e Gil-galad, o Rei Supremo, em auxílio dos elfos do Sirion, e Elwing se fora, bem como seus filhos. Então, aqueles poucos que não haviam perecido no ataque se juntaram a Gil-galad e foram com ele para Balar. E contaram que Elros e Elrond tinham sido feitos prisioneiros, mas que Elwing, com a Silmaril ao peito, se jogara ao mar.
Com isso, a guerra ia muito mal. Elfos lutavam contra elfos, os homens ainda eram poucos e Morgoth se mostrava cada vez mais poderoso. Beleriand estava praticamente sob o domínio do Senhor do Escuro e poucos restavam para lhe fazer oposição. Mas neste momento de grande necessidade os Valar decidiram enviar ajuda dos elfos e homens. Os exércitos do oeste cruzaram as águas do Belegaer e atacaram Morgoth no conflito que ficou conhecido como a Guerra da Ira. Os exércitos de orcs foram dizimados, os Balrogs destruídos e as poderosas fortalezas subterrâneas arrasadas. Morgoth foi feito prisioneiro e as duas Silmarils que restavam tomadas por Eonwë, o arauto de Manwë. Então, Eönwë, como arauto do Rei Mais Velho, convocou os elfos de Beleriand para partir da Terra-média. Maedhros e Maglor, porém, não quiseram obedecer; e, apesar de estarem então exaustos e cheios de vergonha por seus atos, prepararam-se para tentar em desespero cumprir seu Juramento. Pois, se elas lhes fossem recusadas, eles teriam combatido pelas Silmarils até contra o vitorioso exército de Valinor, mesmo que estivessem sozinhos contra o mundo. E enviaram portanto uma mensagem a Eönwë, exigindo que ele entregasse as pedras que outrora Fëanor, seu pai, havia criado e que Morgoth lhes roubara.
Eönwë respondeu. porém, que o direito à obra de seu pai, que os filhos de Fëanor anteriormente possuíam, estava agora extinto, por causa de seus inúmeros feitos impiedosos, decorrentes da cegueira provocada pelo Juramento; e, acima de tudo, pelo assassinato de Dior e pelo ataque aos Portos. A luz das Silmarils deveria agora ir para o oeste de onde no princípio viera. E a Valinor Maedhros e Maglor deveriam retornar, para lá aguardar o julgamento dos Valar, pois, somente por ordem expressa dos Senhores do Oeste Eönwë entregaria as pedras que estavam sob sua responsabilidade. Nesse momento, Maglor desejou muito ceder, pois seu coração estava pesaroso.
- O Juramento não nos proíbe de dar tempo ao tempo - disse ele, então - e pode ser que em Valinor tudo seja perdoado e esquecido; e que atinjamos nosso objetivo em paz. Respondeu porém, Maedhros, que se retornassem a Aman e a graça dos Valar lhes fosse negada, seu Juramento ainda assim permaneceria mas seu cumprimento estaria fora do alcance de qualquer esperança.
- Quem pode dizer o terrível destino que se abaterá sobre nós se desobedecermos aos Poderes em sua própria terra - perguntou ele - ou se nos propusermos um dia voltar a levar a guerra a seu reino sagrado? Maglor, entretanto, ainda resistia:
- Se Manwë e Varda em pessoa negarem o cumprimento de um juramento para o qual foram invocados como testemunhas, ele não se tornaria nulo?
- Mas como nossas vozes chegarão a Ilúvatar, para além dos Círculos do Mundo? E por Ilúvatar juramos em nossa loucura, e pedimos que as Trevas Eternas caíssem sobre nós se não cumpríssemos nossa palavra. Quem poderá nos livrar?
- Se ninguém pode nos livrar - disse Maglor - então de fato as trevas eternas serão nosso destino, quer cumpramos nosso voto quer não, mas causaremos menos mal se quebrarmos o juramento.
Não obstante, ele acabou cedendo à vontade de Maedhros, e os dois planejaram juntos como poriam as mãos nas Silmarils. E se disfarçaram para entrar à noite no acampamento de Eönwë. Esgueiraram-se até o lugar onde estavam guardadas as Silmarils, mataram os guardas e se apossaram das pedras. Então foram descobertos e todo o acampamento se levantou contra eles; e se prepararam para morrer, defendendo-se até o último instante. Eönwë, porém, não permitiu que matassem os filhos de Fëanor. E partindo sem luta eles fugiram para longe. Cada um levou consigo uma Silmaril, pensando: - Já que uma está fora do nosso alcance e só restam duas, e de nossos irmãos só restamos nós dois, está claro que o destino quis que repartíssemos a herança de nosso pai.
Entretanto a pedra queimou a mão de Maedhros com uma dor insuportável, e ele percebeu que era como Eönwë dissera: que seu direito à Silmaril se tornara nulo e que o juramento não tinha mais significado. E tomado de angústia e desespero, vendo que todas as suas terríveis ações foram inúteis, Maedhros se lançou num abismo repleto de chamas... e a Silmaril que portava foi levada para as profundezas da terra. Esse foi portanto o fim de Maedhros, o único dos Eldar em toda a história de Arda a tirar sua própria vida.
FONTE: www.tolkenianos.com







